Olá, boa noite! 18:43 25/04/2009
Nesse primeiro post gostaria de falar de algo que não é novidade. Um estilo de filme que me agrada muito, não pela violência ou pela verdade, mas pela forma de demonstrar problemas que tem óbvias soluções e nenhuma atitude. Um estilo brasileiro de cinematografar.
Há mais ou menos dez minutos atrás terminei de assistir um filme que me deixou (mais uma vez) chocado: Última Parada 174.
Esse é mais um daqueles filmes que mostram a cara do país, que chocam e dão até vontade de chorar (sério, perdi as contas das vezes que segurei uma "lágrima vacilante") e deixam a gente pensando por uns dois ou três dias: "o porque de o Brasil ser assim hipócrita, difícil, e injusto... Quando isso vai mudar e coisa e tal..."
A gente não sabe como as coisas ficaram assim mas é vendo um filme como Última Parada 174, Cidade de Deus, Carandiru, e até o clássico dos clássicos O Alto da Compadecida que a gente até pensa como é difícil ser psicólogo (ou pior, estudante de psicologia como é o meu caso atualmente), assistente social, sociólogo ou filósofo com estórias que não mudam.
Já é de praxe aparecer um "Alê" (ou "Sandro") ou "Zé Pequeno" nos domingos televisivos (o último caso foi o caso Eloah) e chamarmos logo de "assassino!" ou então imperarmos logo com o "mata, mata!" sem percebermos que quando dizemos tais coisas deixamos transparecer aquele espelho que estamos "julgando" e voltamos a tempos em que diversão era assistir a guilhotina em praça pública.
Se a polícia brasileira até fosse preparada (para não dizer responsável) eles realmente matariam de forma rápida (como nos Estados Unidos - não que eles sejam melhores que a gente, mas eles até sabem resolver algumas coisas) o "criminoso" e inventariam uma estória (sem dar tempo da gente procurar saber se é verdade ou não) para dizer que o "bandido" era perigoso.
Não existe uma sociedade perfeita. Toda sociedade, em sua essência ou em sua superfície é patológica e todo ser, social ou não, tem por "obrigação psíquica" demonstrar sua essência e se deixar levar por sentimentos, condicionamentos ou impulsos que fazem parte de algo que nem ele sabe explicar.
Caro leitor, se você discorda, tudo bem, é um direito que lhe cabe, e eu concordo com sua discordância, mas lembre-se do que está um pouco acima nesse texto - voltamos a tempos em que diversão era assistir a guilhotina em praça pública. E o Brasil foi invadido por... franceses, espanhóis, portugueses etc, etc, etc. Então, algum impulso, sentimento ou condicionamento para barbáries nós temos em nosso âmago.
Solução? Difícil imaginar alguma pois, se eu disser que a culpa é dos políticos alguém vai me dizer que eu posso fazer a diferença ao invés de "só falar mal dos políticos", se eu disser que o mal é a sociedade, ou melhor, está na sociedade, outro alguém vai me dizer "que eu posso fazer a minha parte ao invés de "só falar mal da sociedade".
Bem, de fato, eu posso faer a diferença, lembre-se "quando você salva uma vida, você salva o mundo", mas, e a questão do Sandro perante a sociedade? O Brasil é um lugar que tem discrepancias muito largas para se culpar apenas uma fatia do bolo e talvez só se resuma dessa forma.
Muito possivelmente você não concorde com tudo o que eu escrevo aqui, mas lembremos da discussão entre Sartre e Heidegger: o que precede o que, a essência ou a existência?
Essa parece ser mais uma questão para a sociologia ou a antropologia. Eu digo: depende das condições.
A gente assisti um Cidade de Deus e diz "é a essência, com certeza! a natureza do Zé Pequeno é imutável "aí assiti a um "Última Parada 174" e diz: "realmente, a existência (e a necessidade) precedem a essência, como um garoto sem mãe e que não aprendeu nem a fazer o próprio nome, que assalta um ônibus com um revólver enferrujado, pode ter culpa? Aí vem um documentário, como o caso JonesTown e você diz: "puta que pariu! agora eu nem sei pra que lado eu vou!" E se perde sem saber mais se foi Freud quem formulou a relatividade, sem saber quem é quem.
O Brasil pode até ser romântico e tem seus pontos positivos, mas um conjunto de iniciativas tem que ser demandadas para podermos mudá-lo, sejamos psicólogos, historiadores, matemáticos, filósofos, donas de casa ou trabalhadores com ou sem estudo. O que vale é, não só cada um fazer a sua parte mas pensar na sua parte, cobrar a parte dos outros (em especial a dos políticos) e não se resignar àquilo que é chamado de "cabresto social".
Talvez o "Sandro" tivesse tido uma chance caso tivesse estudado ou conhecido alguém para orientá-lo de uma forma mais humana. Ele poderia ter tido uma chance se alguém o alertasse que ele tinha que se dar uma chance. A garota seuqestrada por ele, Elaine, com certeza foi uma vítima, não do Sandro, mas de todos nós e, assim como em um jogo de xadrez, as peças se movem para encurralar sempre o rei, a peça mais frágil e importante do jogo. Assim como o Sandro, eu, você, seu vizinho e o meu somos as peças desse xadrez, onde a vida é o jogo e os adversários os dias que temos devorar, batalhar para vencer. um de cada vez.
É como em Admirável Mundo Novo: quando viemos ao mundo real vimos a selvageria e, de uma forma ou de outra, tivemos que nos adaptar. Alguns de nós, infelizmente foram devorados antes do tempo de entender que na vida, assim como no xadrez, basta uma jogada para virar a partida. O Sandro não teve essa chance.
Nesse primeiro post gostaria de falar de algo que não é novidade. Um estilo de filme que me agrada muito, não pela violência ou pela verdade, mas pela forma de demonstrar problemas que tem óbvias soluções e nenhuma atitude. Um estilo brasileiro de cinematografar.
Há mais ou menos dez minutos atrás terminei de assistir um filme que me deixou (mais uma vez) chocado: Última Parada 174.
Esse é mais um daqueles filmes que mostram a cara do país, que chocam e dão até vontade de chorar (sério, perdi as contas das vezes que segurei uma "lágrima vacilante") e deixam a gente pensando por uns dois ou três dias: "o porque de o Brasil ser assim hipócrita, difícil, e injusto... Quando isso vai mudar e coisa e tal..."
A gente não sabe como as coisas ficaram assim mas é vendo um filme como Última Parada 174, Cidade de Deus, Carandiru, e até o clássico dos clássicos O Alto da Compadecida que a gente até pensa como é difícil ser psicólogo (ou pior, estudante de psicologia como é o meu caso atualmente), assistente social, sociólogo ou filósofo com estórias que não mudam.
Já é de praxe aparecer um "Alê" (ou "Sandro") ou "Zé Pequeno" nos domingos televisivos (o último caso foi o caso Eloah) e chamarmos logo de "assassino!" ou então imperarmos logo com o "mata, mata!" sem percebermos que quando dizemos tais coisas deixamos transparecer aquele espelho que estamos "julgando" e voltamos a tempos em que diversão era assistir a guilhotina em praça pública.
Se a polícia brasileira até fosse preparada (para não dizer responsável) eles realmente matariam de forma rápida (como nos Estados Unidos - não que eles sejam melhores que a gente, mas eles até sabem resolver algumas coisas) o "criminoso" e inventariam uma estória (sem dar tempo da gente procurar saber se é verdade ou não) para dizer que o "bandido" era perigoso.
Não existe uma sociedade perfeita. Toda sociedade, em sua essência ou em sua superfície é patológica e todo ser, social ou não, tem por "obrigação psíquica" demonstrar sua essência e se deixar levar por sentimentos, condicionamentos ou impulsos que fazem parte de algo que nem ele sabe explicar.
Caro leitor, se você discorda, tudo bem, é um direito que lhe cabe, e eu concordo com sua discordância, mas lembre-se do que está um pouco acima nesse texto - voltamos a tempos em que diversão era assistir a guilhotina em praça pública. E o Brasil foi invadido por... franceses, espanhóis, portugueses etc, etc, etc. Então, algum impulso, sentimento ou condicionamento para barbáries nós temos em nosso âmago.
Solução? Difícil imaginar alguma pois, se eu disser que a culpa é dos políticos alguém vai me dizer que eu posso fazer a diferença ao invés de "só falar mal dos políticos", se eu disser que o mal é a sociedade, ou melhor, está na sociedade, outro alguém vai me dizer "que eu posso fazer a minha parte ao invés de "só falar mal da sociedade".
Bem, de fato, eu posso faer a diferença, lembre-se "quando você salva uma vida, você salva o mundo", mas, e a questão do Sandro perante a sociedade? O Brasil é um lugar que tem discrepancias muito largas para se culpar apenas uma fatia do bolo e talvez só se resuma dessa forma.
Muito possivelmente você não concorde com tudo o que eu escrevo aqui, mas lembremos da discussão entre Sartre e Heidegger: o que precede o que, a essência ou a existência?
Essa parece ser mais uma questão para a sociologia ou a antropologia. Eu digo: depende das condições.
A gente assisti um Cidade de Deus e diz "é a essência, com certeza! a natureza do Zé Pequeno é imutável "aí assiti a um "Última Parada 174" e diz: "realmente, a existência (e a necessidade) precedem a essência, como um garoto sem mãe e que não aprendeu nem a fazer o próprio nome, que assalta um ônibus com um revólver enferrujado, pode ter culpa? Aí vem um documentário, como o caso JonesTown e você diz: "puta que pariu! agora eu nem sei pra que lado eu vou!" E se perde sem saber mais se foi Freud quem formulou a relatividade, sem saber quem é quem.
O Brasil pode até ser romântico e tem seus pontos positivos, mas um conjunto de iniciativas tem que ser demandadas para podermos mudá-lo, sejamos psicólogos, historiadores, matemáticos, filósofos, donas de casa ou trabalhadores com ou sem estudo. O que vale é, não só cada um fazer a sua parte mas pensar na sua parte, cobrar a parte dos outros (em especial a dos políticos) e não se resignar àquilo que é chamado de "cabresto social".
Talvez o "Sandro" tivesse tido uma chance caso tivesse estudado ou conhecido alguém para orientá-lo de uma forma mais humana. Ele poderia ter tido uma chance se alguém o alertasse que ele tinha que se dar uma chance. A garota seuqestrada por ele, Elaine, com certeza foi uma vítima, não do Sandro, mas de todos nós e, assim como em um jogo de xadrez, as peças se movem para encurralar sempre o rei, a peça mais frágil e importante do jogo. Assim como o Sandro, eu, você, seu vizinho e o meu somos as peças desse xadrez, onde a vida é o jogo e os adversários os dias que temos devorar, batalhar para vencer. um de cada vez.
É como em Admirável Mundo Novo: quando viemos ao mundo real vimos a selvageria e, de uma forma ou de outra, tivemos que nos adaptar. Alguns de nós, infelizmente foram devorados antes do tempo de entender que na vida, assim como no xadrez, basta uma jogada para virar a partida. O Sandro não teve essa chance.

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